Não busque, a aflição nunca se repete,
Depois que aflições há pouco lhe fica
Além de um mau humor que não se explica,
Do cansaço dos cem aos vinte e sete,
Dos reflexos confusos, das difusas
Reflexões, do reflexo desse velho
Que todas as manhãs vê nesse espelho,
De expressões aflitivas, sós, obtusas;
Que causa o espanto a não querer olhá-lo?
Carcaça tão nojenta não há tal,
Por que representar tamanho abalo?
Não se concebeu mal tão poderoso,
Só sua covardia é anormal,
Não lhe faz bem seu caldo venenoso.
terça-feira, 16 de abril de 2013
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Lamento tal
Não vá por onde é frio e perigoso
A tentar emular um corajoso,
Sem atrasos será um idiota,
E talvez findará em chão sem volta,
Em terra onde a coragem será morta,
Em terra onde o vilão ninguém o peita,
Em terra onde o valente, mal nasceu,
Fundo furou buraco e se escondeu.
Chorará em lamento tal, ridículo,
Que fará ser ridículo batê-lo
A quem o vem bater, quem o cacete.
Não tem de ser Aquiles, grego heroico,
Não importa se escutam o seu eco,
Não busque, a aflição nunca se repete.
A tentar emular um corajoso,
Sem atrasos será um idiota,
E talvez findará em chão sem volta,
Em terra onde a coragem será morta,
Em terra onde o vilão ninguém o peita,
Em terra onde o valente, mal nasceu,
Fundo furou buraco e se escondeu.
Chorará em lamento tal, ridículo,
Que fará ser ridículo batê-lo
A quem o vem bater, quem o cacete.
Não tem de ser Aquiles, grego heroico,
Não importa se escutam o seu eco,
Não busque, a aflição nunca se repete.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Do norte ao sul
Não lhe pode esquecer a sua sorte
Se vierem tocar-lhe os resultados
Por todas as balizas. Vêm a trote,
E vêm para aparar os descuidados
Que surgem em seu caminho. Para leste,
Se para oeste vão, atrapalhados,
Se para o leste vão, surgem do oeste,
Vão-se, do norte ao sul, desnorteados.
Sempre o perdido atrai o que o encontre,
Sempre o covarde o fraco sempre ataca,
Sempre é certa a maldade, desde o ventre:
Tão cedo o possa, seja cauteloso,
Ande por sobre a terra firme e seca,
Não vá por onde é frio e perigoso.
Se vierem tocar-lhe os resultados
Por todas as balizas. Vêm a trote,
E vêm para aparar os descuidados
Que surgem em seu caminho. Para leste,
Se para oeste vão, atrapalhados,
Se para o leste vão, surgem do oeste,
Vão-se, do norte ao sul, desnorteados.
Sempre o perdido atrai o que o encontre,
Sempre o covarde o fraco sempre ataca,
Sempre é certa a maldade, desde o ventre:
Tão cedo o possa, seja cauteloso,
Ande por sobre a terra firme e seca,
Não vá por onde é frio e perigoso.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Formosa seja a noite
...Porque não pode ver maldade, nunca,
Irá sentir abrir-lhe a carne a faca,
E verá que se riem da ferida,
E que se riem mais, se é mais sofrida,
Demais, o sofrimento em sua vida
Tornar-se-á canção de mais querida
Da gente que festeja a violência.
(Mais, se, demais, vertida. Paciência).
Cativante e formosa seja a noite
Sem lua por que voam pirilampos
No verão a brilhar em alagados
Brejos, e espessos bosques, e calados
Cerrados, e perdidos pelos campos,
Não lhe pode esquecer a sua sorte.
Irá sentir abrir-lhe a carne a faca,
E verá que se riem da ferida,
E que se riem mais, se é mais sofrida,
Demais, o sofrimento em sua vida
Tornar-se-á canção de mais querida
Da gente que festeja a violência.
(Mais, se, demais, vertida. Paciência).
Cativante e formosa seja a noite
Sem lua por que voam pirilampos
No verão a brilhar em alagados
Brejos, e espessos bosques, e calados
Cerrados, e perdidos pelos campos,
Não lhe pode esquecer a sua sorte.
sábado, 6 de abril de 2013
Não fazem caso
Porque não pôde ver maldade nele
Não suspeitou de sua traição.
A intuição sugere e não impele,
Mas faz salientar a indecisão.
Infeliz é quem não sabe o caminho,
Engana-se quem não possui visão,
Imprudente é quem não pensa sozinho,
Nem pode ver, nem todo, nem fração.
Mas ágeis carcarás, mui violentos,
Não soem recear, nem vacilar,
Nem fazem caso quando alguém se invoca,
E não receberão quaisquer lamentos,
Nem os abalará, se espernear
Porque não pode ver maldade, nunca.
Não suspeitou de sua traição.
A intuição sugere e não impele,
Mas faz salientar a indecisão.
Infeliz é quem não sabe o caminho,
Engana-se quem não possui visão,
Imprudente é quem não pensa sozinho,
Nem pode ver, nem todo, nem fração.
Mas ágeis carcarás, mui violentos,
Não soem recear, nem vacilar,
Nem fazem caso quando alguém se invoca,
E não receberão quaisquer lamentos,
Nem os abalará, se espernear
Porque não pode ver maldade, nunca.
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Não olhe tão pasmado
Pode ser seu parceiro de sinuca,
Pode dar boas tardes, boas noites,
Bons dias, boas vidas, boas mortes,
Pode parecer bom enquanto peca,
Parecer ter o dote de Rebeca,
A tentar lamber outros belos dotes
(E, claro, não refiro seus lingotes
Mas, sim, ao que a luxúria sempre toca).
É verdade. Não olhe tão pasmado,
Que me pasma que não saiba a verdade,
Que tenha de ser eu quem lha revele
Porque insiste em estar tão retardado,
Porque ainda imagina uma bondade,
Porque não pôde ver maldade nele.
Pode dar boas tardes, boas noites,
Bons dias, boas vidas, boas mortes,
Pode parecer bom enquanto peca,
Parecer ter o dote de Rebeca,
A tentar lamber outros belos dotes
(E, claro, não refiro seus lingotes
Mas, sim, ao que a luxúria sempre toca).
É verdade. Não olhe tão pasmado,
Que me pasma que não saiba a verdade,
Que tenha de ser eu quem lha revele
Porque insiste em estar tão retardado,
Porque ainda imagina uma bondade,
Porque não pôde ver maldade nele.
quarta-feira, 3 de abril de 2013
É próximo
O predador em falsa, falsa pele,
A ocultar maldades, aproxima-se
Dele, que não suspeita a quem a prece
Sua chega, que não sabe quem dele
É próximo, mas mau, que o mal é próximo,
E mais próximo é, e mais exato,
Conforme o dia deita luz ao fato,
Conforme as horas passam, do seu termo,
O seu termo mais triste, mais sofrido,
Mais triste termo nunca tenha havido
De ninguém a ninguém, e desde nunca.
Volte a atenção ao próximo, portanto,
Que jogará mil almas contra o vento.
Pode ser seu parceiro de sinuca...
A ocultar maldades, aproxima-se
Dele, que não suspeita a quem a prece
Sua chega, que não sabe quem dele
É próximo, mas mau, que o mal é próximo,
E mais próximo é, e mais exato,
Conforme o dia deita luz ao fato,
Conforme as horas passam, do seu termo,
O seu termo mais triste, mais sofrido,
Mais triste termo nunca tenha havido
De ninguém a ninguém, e desde nunca.
Volte a atenção ao próximo, portanto,
Que jogará mil almas contra o vento.
Pode ser seu parceiro de sinuca...
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